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Gestão de Acidentes do Trabalho nas Empresas

Tenho tido a oportunidade de acompanhar vários colegas de trabalho implantando Programas para reduzir o número de acidentes do trabalho dentro das empresas em que trabalham ou prestam acessória.

Muitos desse programas, com nomes chamativos, prometem redução ou eliminação do número de acidentes do trabalho, em curtos espaços de tempo, utilizando de metodologias duvidosas, sem nenhuma fundamentação e sem resultados aparentes.

Em muitos casos, estas metodologias incluem, a analise de acidentes do trabalho com o objetivo de barrar a abertura de CATs e/ou descaracterizar uma situação de culpa da empresa com relação ao acidente ocorrido. Outras dessas metodologias utilizam apenas os acidentes com afastamento superior a 15 dias para poderem registrar o CAT e computar esse acidente no total de ocorrências do período.

E finalmente temos casos onde existe uma manipulação grande dos dados obtidos em campo, mascarando os resultados e divulgando , em enormes placas na entrada da empresa, que aquele estabelecimento esta a centenas de dias sem acidentes do trabalho (incluam aqui as doenças ocupacionais).

Logicamente não podemos generalizar, não são todos os profissionais e também não são todas as empresas que compartilham e se utilizam dessas metodologias tortuosas.

Dentro do contexto de um sistema de gestão de saúde e segurança do trabalho, a gestão das situações geradoras dos acidentes ou quase acidentes de trabalho e a gestão do acidente propriamente dito estão qualificadas como uma das inúmeras ferramentas à disposição dos responsáveis pela implantação e implementação desse sistema.

Pontualmente as ações para a implantação do sistema de gestão de acidentes do trabalho passa pelo entendimento de que a empresa é um ser dinâmico, com personalidade personificada pela postura de seus gestores e que deve haver uma compreensão sistêmica de todo o processo para o sucesso do trabalho de implantação.

Reduzir acidente de trabalho sem tratar questões básicas relacionadas à Saúde e Integridade física do empregado, além de se constituir em uma grande perda de tempo, pode transmitir a falsa sensação de que questões importantes de interesse direto dos trabalhadores estão sendo tratadas de forma correta, o que na realidade não seria verdade.

Entendo por questões básicas entre outras:

  • as integrações de saúde e segurança do trabalho;
  • a aplicação das ordens de serviço de saúde e segurança do trabalho por função;
  • a identificação correta, o fornecimento e os treinamentos de uso de EPIs;
  • as investigações de acidentes de trabalho com definição clara da metodologia utilizada;
  • as necessidades de treinamentos levantadas pelo mapeamento de riscos, incluindo aqui por exemplo manuseio de produtos químicos;
  • a perfeita integração da CIPA no contexto da empresa;
  • os diálogos diários de segurança - DDS;
  • o treinamento e gestão da brigada de incêndio e conseqüente treinamento de evacuação das instalações;
  • a elaboração do PAE – Plano de Atendimento a Emergência e os simulados necessários;
  • a definição correta dos indicadores de saúde e segurança do trabalho e definição de objetivos e metas;
  • e por fim a conscientização de todos na empresa com relação às questões de saúde e segurança do trabalho;


Estes itens básicos, entre outros, são de implantação e implementação necessários, de acordo com o Levantamento de Perigos e Riscos, quando se pretende pensar em reduzir ocorrências de acidentes do trabalho em uma empresa.

Resultados de diminuição do número de ocorrências relacionadas aos acidentes de trabalho podem ser alcançados, de modo seguro e sustentável, por um sistema implantado com bases solidas, obedecendo aos princípios de planejamento, realizações, acompanhamento e redirecionamento de ações quando necessário.

Neste contexto o planejamento passa pelo entendimento do escopo dos requisitos gerais, política de Saúde e Segurança Ocupacional e Identificação dos Perigos e Riscos. Pelos Objetivos, metas e o programa de gestão, além dos requisitos legais.

As realizações estão voltadas para o entendimento de necessidades de treinamentos, responsabilidades, documentação, controle de documentos e comunicação.

O acompanhamento se da através dos controles operacionais, do monitoramento e acompanhamento das não conformidades e oportunidades de melhoria, e através de uma auditoria séria e independente. As metas traçadas devem estar claras e todos os envolvidos cientes de suas responsabilidades.

O redirecionamento tem fulcro na analise critica, nas ações corretivas e preditivas e na melhoria continua.

O resultado positivo na gestão dos acidentes de trabalho e situações de risco, começa a ser delineado no inicio da implantação do sistema de gestão, com a delimitação do escopo pretendido, com a definição da política, dos objetivos e das metas a serem alcançadas pela empresa, passando pelo comprometimento da alta direção com a política de segurança e saúde da empresa e pelo entendimento e compromisso da área gerencial, encarregados e supervisores.

Não se imagina redução de acidentes de trabalho e/ou de quase acidentes apenas com os esforços do pessoal da segurança do trabalho, sem o envolvimento direto de supervisores, gerentes, da alta direção e principalmente das pessoas que estão na linha de frente da atividade, ou seja, redução de acidentes significa envolvimento de todos na empresa, sem distinção de cargos ou salários.

Acompanhei casos onde o gerente de produção, o gerente da engenharia, o gerente da oficina e todos os outros gerentes da empresa, cobravam da segurança do trabalho aplicação de advertências para quem não estivesse usando EPIs em suas área, mas em nenhum momento os encarregados, supervisores e os chefes que estão diretamente envolvidos nesta questão, e são teoricamente responsáveis por suas áreas, foram cobrados pela área gerencial, mesmo tendo recebido treinamentos e estarem perfeitamente conscientizados de suas responsabilidades.

É como se o pessoal dos SESMTs das Empresas fossem os únicos responsáveis por fazer a “engrenagem” funcionar sem que nenhum trabalhador fosse afastado por um acidente de trabalho incluindo aqui as doenças ocupacionais.

Por outro lado, a experiência nos mostra que os profissionais envolvidos com saúde e segurança do trabalho, seja pela pressão exercida por resultados imediatos, seja por falta de ferramentas para implantar e implementar um sistema gestão e/ ou finalmente seja por falta de conhecimento técnico, tendem a aceitar passivamente situações de grave e eminente risco de acidentes, tentando resolve-las pontualmente sem envolver a alta direção na questão. Um erro grave de gestão que pode comprometer seriamente a empresa e o profissional junto a justiça de uma forma geral.

Portanto reduzir o número de acidentes do trabalho em uma empresa não é uma tarefa apenas da área de segurança do trabalho, é uma tarefa da empresa, do comprometimento formal de todos na empresa inclusive, da alta direção.

As responsabilidades que devem ser imputadas ao pessoal de saúde e segurança do trabalho devem estar direcionadas para juntamente com a empresa definir a política de saúde segurança, para os levantamentos de situações de perigos e riscos, para os treinamentos, etc.

Somente poderemos trabalhar com a expectativa de redução do numero de ocorrências relacionadas aos acidentes de trabalho se na empresa existir a percepção, de todos, que segurança do trabalho se faz com parceria de todas as áreas da empresa e que não existe um responsável, a responsabilidade é conjunto, ela é de todos.

 

Marcos Santos da Silva, M.Sc.

Engenheiro Eletricista, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental, Professor dos cursos de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho e Medicina do Trabalho, Perito e Consultor na área de Saúde e Segurança do Trabalho.

Contato: mclmsantos@uol.com.br - (62) 9229 0474

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