Artigos

Atenção aos Contratos Terceirizados

Após décadas em exercício na contratação de serviços, os gestores já possuem mais subsídios para justificar uma terceirização. Temos histórico consistente, casos bem e mal sucedidos, jurisprudências, prestadores mais experientes, e notória evolução na expertise dos contratantes. A terceirização traz vantagens, entretanto, em alguns casos a relação custo benefício caminha numa linha muito tênue, sendo esta apoiada ou definida nas condições e variáveis envolvidas no processo.

Vale lembrar algumas etapas deste processo:


1 – Objetivos

Objetivos devem ser traçados para avaliar o sucesso do projeto. Pode ser incremento de qualidade ou produtividade por força de uma especialização, aumento de flexibilidade operacional ou de custos (transformação de fixo em variável), redução de custos etc.

2 – Modelo

Alguns modelos contratuais não são adequados a determinadas atividades. Seja global por serviço prestado, preços unitários, administração de recursos, vínculo por produtividade, aplicação de ônus e bônus, base em unidade de produção, enfim, cada processo deve ter o melhor modelo analisado e selecionado.

3 – Fornecedores

Num mercado competitivo, existem vários. Sérios, e os nem tanto. Grandes, e até os muito pequenos. Aqueles que irão assegurar e garantir o contrato que celebrarem e os que, na hora “H”, deixam a bomba com o cliente.

Este é um bom exercício: definir parâmetros para homologação que possam assegurar uma tomada de preços justos e equiparáveis. A depender do regime de tributação e do tamanho da empresa, os custos virão certamente com uma defasagem de, no mínimo, 20 a 30%.

Se o negócio e os riscos envolvidos são altos, o fornecedor deve ser compatível. Se a atividade for muito simples e/ou valores e riscos envolvidos baixos, buscar especialistas e empresas grandes podem tornar os custos não exequíveis. Seja pequeno, médio ou grande, que a escolha com base em critérios privilegie a técnica, seriedade e idoneidade do prestador.

4 – Carta Convite

A carta convite norteará o custeio e, consequentemente, o valor da proposta. Todas as condições, tais como, multas, retenção técnica, forma de pagamento e outras exigências, devem estar explícitas no documento. Após a tomada de preços, alterar ou inserir condições, um prazo de pagamento, por exemplo, que interfiram no fluxo ou rentabilidade do prestador, será um mau começo.

5 – Análise Técnica - Comercial

Se os passos anteriores foram bem seguidos, esta etapa não trará surpresas. Preços serão equilibrados e a proposta refletirá o escopo exigido. O que pode haver de novidades é o valor agregado que um ou outro possa oferecer. Este ponto poderá representar o diferencial das empresas que dominam técnica e sua especialidade.

6 – Transição / Implantação

Alicerce de uma nova relação. O contratante deve estar atento e participante de todas as etapas. Um planejamento bem elaborado deve ser conduzido a quatro mãos, e a seis, quando existe um fornecedor que sairá para dar lugar a outro. Transparência, objetividade e, acima de tudo, profissionalismo das partes envolvidas são indispensáveis neste momento.

Gestão...

Processos muito bem conduzidos até aqui, às vezes perdem-se nesta etapa!

Vejamos alguns preceitos:

a) Ética e profissionalismo devem ser base desta relação;

b) KPI (indicadores de performance) e SLA (nível de aceitação de serviço) amenizam o efeito da subjetividade na análise do gestor. Exercer acompanhamento sistêmico com indicadores, relatórios, reuniões, é mais saudável para ambas as partes;

c) Preparação dos gestores e prepostos na fase inicial é essencial pois, praticar algo diferente do previsto contratualmente, pode incorrer em falhas, se levadas à justiça elementos fáticos subsidiarão uma eventual sentença;

d) Foco no escopo. O contrato deve espelhar um resultado, e não controle de pessoas. Gestão de pessoas é competência do prestador;

e) Na administração do contrato, rigor na entrega de guias de recolhimento, negativas de débitos, e outros documentos anunciados na carta convite;

f) Na segurança do homem e meio ambiente, respeito aos preceitos legais. Todos os quesitos devem ser atendidos, com tolerância “zero”;

g) Rever frequentemente parâmetros que justificaram objetivos iniciais;

h) Atenção à saúde financeira do prestador. Muitas vezes é analisada no cadastro e depois é um parâmetro esquecido;

i) Acompanhar frequentemente o mercado, as inovações. Evoluir o contrato com o prestador é uma forma de sedimentação da relação contratual;

j) Valor agregado em serviço é um fator primordial. Existe algum no processo em questão?

Prezado leitor, se já passou por processos que deixaram lacunas, uma reflexão: Em qual estágio dos acima citados incorreu num erro? O que poderia ter sido evitado?

Numa versão adaptada, cito Saint-Exupéry com uma de suas famosas frases do Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que contratas”.

Contratou? ... Então gerencie!


Francisco Alexandre Tiengo
Engenheiro mecânico - produção.
Engenheiro de Segurança do Trabalho
Consultor em manutenção e contratos.

Informativo

Cadastre aqui seu e-mail e receba
informações de nossos cursos:

 
 
 
 

Atendimento

Rua João de Abreu, 116, sala 1001-A Ed. Euro Working Concept, Setor Oeste - Goiânia-GO. CEP: 74120-110.

62 3541-5902 / (62) 99148-6419

 

atendimento@institutoineaa.org.br

 

шаблоны joomla 3.0
новости туризма